Nosso suporte operava de forma reativa.
Tickets chegavam por e-mail, dependiam de triagem manual e falhas no SLA eram recorrentes. A equipe perdia tempo em tarefas operacionais, e os clientes sentiam o impacto.

Soa familiar?

Foi a partir desse diagnóstico que decidimos repensar o suporte do zero, incorporando Agentes de IA como peça central da operação.

No início, foi frustrante. Pedíamos uma coisa e os agentes entregavam outra. A virada aconteceu quando entendemos algo essencial:

O problema não era a ferramenta.
Era a forma como estávamos nos comunicando com ela.

Este artigo é sobre essa jornada — as escolhas arquiteturais, os erros, os aprendizados e como a engenharia de prompts transformou nosso suporte convencional em um Suporte Agêntico.

A Arquitetura do Suporte Agêntico: Memória, Decisão e Orquestração

Antes de automatizar qualquer coisa, organizamos a casa.

A pergunta que guiou nossa arquitetura foi simples:

  • Onde vive a memória dos agentes?
  • Quem toma as decisões?
  • Quem executa?
  • Como escalar sem explodir custo?

A resposta foi dividir claramente as responsabilidades.

🧠 Memória Persistente: Microsoft Dataverse como Base Cognitiva

Escolhemos o Microsoft Dataverse como camada central de memória operacional.

Não queríamos apenas armazenar tickets.
Queríamos armazenar contexto, histórico decisório e aprendizado operacional.

No Dataverse registramos:

  • Histórico estruturado de tickets
  • Estado do fluxo de suporte
  • Decisões tomadas pelos agentes
  • Feedback do cliente
  • Métricas de SLA
  • Padrões recorrentes identificados

Isso nos tirou de um modelo “stateless” de IA e nos levou para um modelo com memória estruturada e governável.

Com segurança por papel, auditoria nativa e integração fluida com a Power Platform, o Dataverse se tornou nossa base cognitiva.

Não estamos apenas automatizando tarefas.
Estamos construindo histórico de decisão.

🤖 Copilot com Agentes Decisores de Processo

Decidimos não usar IA apenas para responder perguntas.

Criamos Agentes Decisores especializados, implementados via Copilot, cada um com responsabilidade clara:

  • Agente Classificador → categoriza e prioriza tickets
  • Agente de SLA → avalia risco de violação
  • Agente de Escalonamento → decide quando subir nível
  • Agente de Diagnóstico → sugere causa provável
  • Agente de Melhoria Contínua → identifica padrões recorrentes

Esses agentes não executam processos.

Eles decidem.

A execução é feita pelos fluxos.

Separar decisão de execução foi o divisor de águas da nossa arquitetura.

Isso trouxe:

  • Rastreabilidade
  • Explicabilidade
  • Governança
  • Evolução incremental dos prompts
  • Controle de custo

⚙️ Orquestração Escalável com Power Automate

A camada de execução ficou com o Power Automate, estruturado em flows independentes, desacoplados e orientados a eventos.

Nossa abordagem arquitetural:

  • Flows modulares por responsabilidade
  • Disparo por evento (event-driven)
  • Separação entre decisão e execução
  • Tratamento centralizado de erros
  • Logs estruturados para auditoria

O resultado foi surpreendente:

Conseguimos uma arquitetura escalável com custo extremamente baixo por execução.

Como os agentes apenas decidem e os flows executam ações específicas, evitamos:

  • Chamadas redundantes de IA
  • Loops desnecessários
  • Processamento excessivo

Escalamos volume sem escalar complexidade.

Essa separação clara transformou o suporte em um sistema previsível, auditável e evolutivo.

O Ponto Crítico: A Evolução dos Nossos Prompts

Aqui foi onde o jogo realmente virou.

No início, nossos pedidos eram vagos.

O Prompt Fraco (Nosso Primeiro Erro)

“Preciso que me ajude a criar um processo de suporte melhor para minha empresa, vamos usar o Power Automate, me dê exemplos de fluxos.”

A resposta foi uma lista genérica.
Não gerava execução. Não gerava projeto.

O Prompt Otimizado (A Virada de Chave)

Passamos a estruturar nossas requisições como instruções claras.

Um bom prompt passou a ter:

  • Papel
    “Atue como um Product Manager experiente.”
  • Contexto
    Cenário do negócio, problema e objetivo.
  • Formato de saída obrigatório
    Exigimos JSON estruturado.
  • Restrições
    O que não deveria ser feito.

Exemplo de estrutura exigida:

{
  “user_story_title”: “Título da User Story”,
  “persona”: “Para [quem]”,
  “need”: “Eu preciso [necessidade]”,
  “goal”: “Para que [objetivo]”,
  “acceptance_criteria”: [
    “Critério 1”,
    “Critério 2”
  ]
}

A partir daí, os agentes deixaram de gerar ideias genéricas e passaram a gerar insumos acionáveis de projeto.

Resultados Reais: O Impacto na Rotina da Equipe

A maior transformação não foi técnica. Foi humana.

Antes:

  • Categorizar tickets manualmente
  • Copiar e colar informações
  • Atualizar planilhas
  • Apagar incêndios

Agora:

  • Analisar problemas complexos
  • Atuar preventivamente
  • Tomar decisões estratégicas
  • Evoluir processos

O trabalho deixou de ser operacional para se tornar analítico.

Isso aumentou:

  • A qualidade do atendimento
  • A previsibilidade de SLA
  • A satisfação da equipe

Nossa Dica de Ouro

Se pudéssemos dar um único conselho:

Invista tempo em aprender a se comunicar com os Agentes de IA.

A qualidade da sua operação será um reflexo direto da qualidade dos seus prompts.

Se fôssemos começar hoje:

  • Começaríamos pequeno
  • Automatizaríamos uma tarefa repetitiva primeiro
  • Envolveríamos a equipe desde o dia zero
  • Testaríamos incansavelmente

Implementar Agentes de IA é um processo de aprendizado.

Mas uma coisa é clara:

Agentes de IA não são chatbots melhorados.
São camadas de decisão dentro da arquitetura corporativa.

E você — já está tratando IA como interface, ou como arquitetura?

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